Desde jovem tinha uma mãe de um amigo meu que dizia que eu era como uma "árvore"; mesmo com muito vento dobrava mas nunca partia. E eu sentia-me forte!
Dizia ela isto porque era conhecedora da vida atribulada que passei a ter desde a separação dos meus pais tinha eu 12 anos; hoje em dia divorcio é um tema perfeitamente natural, mas, há algumas dezenas de anos atrás não o era.
Vivi uma separação dos meus pais que me marcou muito, mas, que igualmente fez de mim a tal "árvore" que sempre dobrou e nunca partiu, apesar de em alguns momentos ter faltado pouco.
A vida formata-nos para o bom e para o mal e acho demasiadamente fácil sermos transformados em algo que muitas vezes não queremos; sem o apoio dos nossos pais, amigos, família mais fácil o é.
Mas, voltando á mãe do meu amigo e à "arvore" que não partia, tenho hoje a certeza que essa segurança aparente, esse autocontrole demonstrado, esse exemplo que sempre fui, foi construído com base em muito sofrimento interior que me fez saltar etapas e me transformou num "homenzinho" demasiado cedo, não permitindo que construísse o meu ser com a paz interior que qualquer criança e jovem merece nessa idade.
Tudo tem o seu tempo e a seu tempo seremos amigos, pais, avós, ou um qualquer papel que naturalmente nos vai sendo atribuído pela vida. Os adultos têm obrigação de deixar as crianças e os jovens serem crianças e jovens, mas, com responsabilidade e acima de tudo amor.
Considero que hoje em dia impera a imaturidade e o facilitismo junto das nossas crianças e jovens, fruto de uma grande diversidade de factores directa e indirectamente relacionadas com a "instituição" familia, mas, compete-nos a nós pais e Sociedade, fazer um esforço redobrado de forma a permitirmos que os nossos jovens o possam ser efectivamente, não deixando de os responsabilizar e os preparar para as derrotas, as injustiças, as muitas dificuldades que irão encontrar nestes tempos difíceis.
Não defendo a criação a qualquer preço de "árvores" que não dobram; defendo a criação de "árvores" que tenham a flexibilidade suficiente para vergar e não partir, pelo facto de terem a seu lado outras tantas "árvores" que a amparam quando necessário.
Defendo que os adultos têm obrigação de deixar as crianças e os jovens serem crianças e jovens, mas, com responsabilização, muito apoio e muito amor.
E, muito importante para mim, tento todos os dias aplicar estes princípios junto dos meus!


